A Abolição do Género para a sua Expansão

“A libertação trans e queer, na minha opinião, só é possível através da abolição do género. No entanto, isso não quer dizer que eu deseje minar a experiência, por vezes bela, que as pessoas trans e outres dissidentes de género encarnam neste mundo. Pelo contrário, abolir o género significa libertar e expandir essa beleza para a humanidade como um todo. As vidas trans não escondem nenhuma essência, nenhum destino fixo, antes pelo contrário: o dom de escapar ao que parece imutável, de deixar para trás algo que atormenta tantas pessoas (Elogio, 2022, 86). Esta é a trama que tece as experiências trans, a negatividade perante uma forma imposta de como as coisas têm de ser, a rebeldia de viver como se outras vidas fossem possíveis.”

IRA HYBRIS, A Abolição do Género (Através Editora, 2024)

Ira Hybris é uma militante transfeminista e pensadora comunista queer de Saragoça. Autora do ensaio Mutantes y divinas (2023), obra no qual este texto pertence e fora cedido pela editora Kaótica Libros para sua edição e tradução em português, deseja e luta por um futuro de cuidados comunizados, géneros promíscuos e muita purpurina ecossocialista.

Nesta obra podemos encontrar um conjunto de inquietações teóricas e práticas em torno do marxismo queer, enquanto alternativa ao capitalismo, assim como de outros futuros queer possíveis, ou queertopias, que constituam uma dissidência à norma cisheterossexual do sistema capitalista.

Neste volume, dividido em duas partes, a autora mostra ser capaz de não só entender, contestar e desarticular alguns dos discursos reacionários em torno do género como tece uma alternativa política ao seu avanço: a abolição do género como sistema de opressão e horizonte de luta para imaginar um mundo melhor.

Desta forma podemos encontrar desde uma genealogia transfeminista do abolicionismo do género, com as primeiras teses protoabolocionistas de Gayle Rubin, Mario Mieli e Monique Wittig, até ao pensamento filosófico contemporâneo de Paul B. Preciado e a violência exercida pelas categorias binárias de “homem” e “mulher” da cisnormatividade heterocapitalista no qual se apela ao desafio não binário da abolição do género para a sua expansão.

ISBN: 978-84-16545-93-3 EditoraAtravés das ideias Páginas: 104