“És insuportável! Sempre a dizer coisas desagradáveis, sempre a cair, sempre a fazer alguma coisa estúpida. Uma verdadeira maria-rapaz, é o que tu és!”
Christian Bruel, A História da Julia e da sua sombra de Menino (Orfeu Negro, 2021)
Histoire de Julie qui avait une ombre de garçon, publicado por Le Sourire qui mord em 1976, é um livro feminista que mostra a sua atualidade e importância ao abordar temas importantes como o sexismo, as diferenças de género e a tolerância para com as identidades trans.



Julia é uma criança encantadora, hiperativa, terna, ligeiramente atrevida, uma verdadeira “maria rapaz”, dizem-lhe os seus pais repetidamente. Desapontados por esta não corresponder à imagem de género de uma menina de oito anos, criticando-a, Julia começa a duvidar da sua identidade.
Assim, numa manhã, a sombra de Julie torna-se a de um pequeno rapaz que a caricatura a cada movimento: salta para dentro de poças, bate com as portas atrás dela, procura sistematicamente a escuridão e a noite, mas Julia não vê efeitos, a sombra do rapaz continua a persegui-la.
Julia pergunta-se: será ela uma maria-rapaz? Quem é este rapaz que é a sua sombra? Como é que ela se pode livrar dele? E se a sombra fosse real? E se ela fosse mesmo um rapaz? São várias as perguntas que atormentam Julia.
É quando num parque encontra um rapazinho triste por ser chamado por todos de rapariga, devido à magreza das suas características, que ela decide assumir o seu verdadeiro eu. Junto com ele decide que tem o direito de ser quem é e de descobrir a sua identidade.
Esta é uma história que abre o diálogo com as crianças sobre a descoberta da identidade. As ilustrações, que nos remetem aos anos 1970, são também deliciosas!
Uma leitura integrada no Plano Nacional de Leitura recomendada para crianças entre os 6-11 anos.
ISBN: 9789899071056 Editor: Orfeu Negro Páginas: 56