Além da Pele: Repensar, refazer e reivindicar o corpo no capitalismo contemporâneo

“Além da Pele: Repensar, refazer e reivindicar o corpo no capitalismo contemporâneo”, de Silvia Federici

“Há diferentes razões para falar do corpo, independentemente da vasta bibliografia já existente sobre este tópico. Em primeiro lugar, há a velha verdade de que “no princípio era o corpo”, com os seus desejos, as suas capacidades, as suas múltiplas formas de resistência à exploração. Como é muitas vezes reconhecido, não existe nenhuma mudança social, nenhuma inovação cultural ou política que não seja expressa através do corpo, nenhuma prática económica que não lhe seja aplicada. Em segundo lugar, o corpo está no centro dos principais debates filosóficos do nosso tempo e de uma revolução cultural que continua, em alguns aspetos, o projeto inaugurado pelos movimentos das décadas de 1960 e 1970 que trouxeram o debate da libertação instintiva para o primeiro plano do trabalho político. Mas a principal razão para falarmos do corpo é que repensar a forma como o capitalismo transformou os nossos corpos em força de trabalho nos ajuda a pôr em contexto a crise pela qual eles estão atualmente a passar e, ao mesmo tempo, a compreender, a procura por novos paradigmas antropológicos.”

Silvia Federici, Além da pele: Repensar, Refazer e Reivindicar o Corpo no Capitalismo Contemporâneo (Orfeu Negro, 2025)

“Além da Pele: Repensar, Refazer e Reivindicar o Corpo no Capitalismo Contemporâneo” é uma obra de Silvia Federici que aprofunda a sua análise crítica sobre a exploração dos corpos, especialmente os femininos, no contexto do capitalismo atual. Composta por dez ensaios, a autora examina como o capitalismo transforma o corpo humano numa máquina de trabalho, destacando a instrumentalização do corpo das mulheres como reprodutoras de mão de obra.

A obra está dividida em quatro partes que abordam temas como a relação entre corpos e opressões, a barriga de aluguer, as novas tecnologias reprodutivas e de manipulação genética, esterilizações forçadas, criminalização do aborto, cerceamento da sexualidade feminina, trabalho sexual, e o papel da medicina e psicologia no disciplinamento dos corpos. Federici argumenta que o capitalismo tardio procura moldar um trabalhador cuja corporalidade seja imune a estímulos sensoriais e desejos sexuais, sempre autodisciplinado e pronto para funcionar em qualquer situação.

A autora também critica as teorias pós-estruturalistas contemporâneas, como a teoria da performance de Judith Butler, questionando a compreensão do género como uma identidade e defendendo a importância da categoria “mulheres” na política feminista. Federici enfatiza que o controle sobre o corpo feminino não se limita à escolha reprodutiva, mas envolve também a capacidade de parir sob condições seguras e a autonomia sobre a própria reprodução.

“Além da Pele” é uma reflexão profunda sobre como o capitalismo contemporâneo continua a explorar e controlar os corpos, especialmente os das mulheres, e propõe uma resistência que vai além da pele, procurando transformar as condições materiais da vida das mulheres e reivindicar o controle sobre seus próprios corpos.

ISBN: 9789899225213 Editor: Orfeu Negro Páginas: 216