António Botto (1897–1959) foi um poeta português e uma das figuras mais singulares e controversas da literatura portuguesa do século XX.
Ficou sobretudo conhecido pela obra Canções (1921), onde escreveu de forma abertamente lírica e sensual sobre o amor entre homens — algo absolutamente revolucionário (e escandaloso) para a época. Por isso, foi alvo de censura, ataques morais e exclusão social.
A obra Caderno Proibido representa um momento muito especial e revelador na vida e obra de António Botto por várias razões: reúne poemas inéditos, escritos nos anos 1950, que o próprio poeta planeava publicar em vida e que ficaram guardados na Biblioteca Nacional de Portugal durante décadas sem edição. O título vem do próprio Botto e refere-se à ideia de um livro que estava destinado a ver a luz mas acabou por ficar esquecido até agora. Segundo, ao contrário das suas obras conhecidas, como Canções (1921), cujos poemas são sensuais mas mais subtis, estes poemas do Caderno Proibido usam uma linguagem mais ousada e sem subterfúgios — muitos dos quais podem parecer até “pornográficos” ou obscenos segundo critérios tradicionais. Uma obra queer porque desafia normas, reivindica o desejo, recusa o silêncio e reinscreve uma experiência marginalizada no centro da literatura portuguesa.
Caderno Proibido não é apenas uma compilação de textos inéditos, mas uma peça chave para compreender melhor a dimensão humana, erótica e literária de António Botto, revelando facetas da sua voz poética e das suas vivências que até agora estavam ocultas no tempo.