“A xenofobia racista disfarçada de «etnodiversidade», o combate ao «marxismo cultural», o antifeminismo, a perseguição da «ideologia de género», o ataque, em Portugal, ao 25 de Abril, à democracia e à descolonização como raiz de todos os males, o autoritarismo securitário, tudo isso está consignado programaticamente: «Deus, Pátria, Família», a trilogia da ditadura salazarista figurava como título geral do programa do Chega nas eleições de 2022.”
Fernando Rosas, Direitas Velhas, Direitas Novas (Tinta da China, 2024)
Direitas Velhas, Direitas Novas: Ensaio histórico sobre a extrema-direita no pós-Segunda Guerra Mundial é a mais recente obra de Fernando Rosas, professor emérito da Universidade Nova de Lisboa e professor catedrático jubilado de História Contemporânea da NOVA FCSH. Fernando Rosas, também membro da Comissão Instaladora do Museu Municipal do Aljube e da Comissão Instaladora do Museu Nacional do Forte de Peniche, conta com outras obras editadas pela Tinta da China como Salazar e o Poder (Prémio Pen Club de Ensaio, 2012); Salazar e os Fascismos (Prémio de História Contemporânea da Fundação Calouste Gulbenkian/Academia Portuguesa de História, 2019) e Ensaios de Abril (2023).
Não nos restam dúvidas quanto ao trabalho do historiador no que toca à análise e interpretação da história dos fascismos e mais especificamente do fascismo português. Neste ensaio, “produto das circunstâncias do tempo presente que nos obriga a olhar para trás e para os regimes de historicidade contemporâneos”, segundo palavras do mesmo, encontramos um estudo sobre a evolução política e ideológica das organizações da extrema-direita no Ocidente europeu, da sua herança dos fascismos dos anos 30 e 40, da sua marginalidade, recuo e reemergência de uma extrema-direita que, oriunda do velho fascismo, assume novas formas, novos recursos, novas alianças para gerar um regime autoritário e antidemocrático.
Um livro que para poder entender e responder aos desafios inquietantes da época atual se divide em três capítulos, correspondentes aos três períodos principais em que surge, cai e se recria e transforma o fenómeno do fascismo e do surgimento da nova extrema-direita, sendo eles a época dos fascismos (capítulo I); a época dos “30 anos de ouro” (capítulo II) e o terceiro e último capítulo a época do capitalismo neoliberal e como as suas transformações originam a reemergência desta nova extrema-direita.
Uma obra que não sendo queer nem feminista, focando-se na análise histórica da viragem das extremas-direitas na transição para o séc. XXI, mostra ser uma ferramenta útil para encontrar novos caminhos, novas táticas, novos recursos para enfrentar esta ameaça iminente às democracias europeias e especificamente à portuguesa.
ISBN: 978‑989‑671‑889‑3 Editor: Tinta da China Páginas: 220