Sodomita

“Ao cabo dessa fase investigativa, o Promotor da Inquisição encontrou suficiente mérito e veracidade na denúncia. A acusação contra Luiz Delgado sairia, portanto, do juízo civil e passaria para o juízo religioso. Mudava-se da cadeia pública para os cárceres secretos do Santo Ofício. Passava das mãos dos homens para as mãos de Deus.

Era acusado de praticar o mais torpe, sujo e desonesto pecado: a sodomia, que, sendo oculto, tem prova suficiente em conjecturas e presunções, tendo a arbitrariedade valor de julgamento.”

Sodomita, Alexandre Vidal Porto (Tinta da China, 2024)

Partindo de uma investigação histórica e de personagens reais, Alexandre Vidal Porto narra neste livro a saga de Luiz Delgado, violeiro português natural de Évora, que chegou em 1669 à cidade de Salvador, no Brasil, degredado por sodomia — um código para homossexualidade, um dos crimes mais hediondos no Portugal inquisitorial do século XVII.

Em território baiano, roído por uma culpa que o ultrapassa, Delgado reinventa‑se como comerciante, trabalha muito, assume um casamento cordial de fachada, mas não deixa de se entregar a deleites carnais e a algumas paixões sinceras com rapazes que cruzam o seu caminho, à medida que o factual se vai misturando com efabulação.

Sodomita não é apenas história nem apenas um romance, não fala apenas em português arcaico nem apenas na oralidade de hoje, e nunca fica preso numa época antiga porque permanentemente nos coloca perante questões até hoje relevantes — preconceito, opressão, prazer, desejo e o direito de existirmos como somos.

Alexandre Vidal Porto nasceu em São Paulo e viveu em Fortaleza, Brasília, Nova Iorque, Santiago, Washington, Cidade do México, Tóquio e Frankfurt. É diplomata de carreira e mestre em Direito por Harvard. Foi colunista do jornal Folha de S. Paulo e escreveu no blogue da revista Bravo!. Antes do romance Sodomita (2023), o primeiro do autor a ser editado em Portugal, publicou os romances Matias na cidade (2005), Sergio Y. vai à América (2014, vencedor do Prémio Paraná de Literatura) e Cloro (2018, finalista do prémio Jabuti).

ISBN: 978‑989‑671‑876-3 Editor: Tinta da China Páginas: 136