Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças

“Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças”, de Richard Miskolci

“Na perspetiva queer, as identidades socialmente prescritas são uma forma de disciplinamento social, de controle, de normalização. Como mostra minha experiência pessoal durante a ditadura militar, a escola tenta, pelos mais diversos meios pedagógicos, criar meninos masculinos e meninas femininas. Portanto, o ensino escolar participa e é um dos principais instrumentos de normalização, uma verdadeira tecnologia de criar pessoas “normais”, leia-se, disciplinadas, controladas e compulsoriamente levadas a serem como a sociedade as quer. Em outras palavras a escola pune e persegue aqueles e aquelas que escapam ao controle, marca-os como estranhos, “anormais”, indesejáveis.”

Richard Miskolci

Richard Miskolci é professor associado do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos, destacando-se em pesquisas que envolvem sexualidade, gênero e raça/etnia. Nesta obra discorre sobre a origem, a substância e o curso da teoria queer enquanto princípio questionador das concepções rígidas de identidade e orientação sexual.

Miskolci discorre sobre o poder da educação e como a teoria queer tem sido uma ferramenta importante para pessoas que não se encaixam nas normas tradicionais de género ou sexualidade, oferecendo um espaço para questionar, explorar e redefinir as próprias identidades.

A partir de uma aula Magna de Diversidade e Cidadania, na Universidade Federa de Ouro Preto, Miskolci discorre sobre como uma escola que não discute sexualidade e género numa perspetiva de promoção dos direitos humanos, se pode tornar um espaço de discriminação e de violência como nos é a oferecida pela atual “ideologia de género”.

Recentemente vimos com a exclusão do Guia “O Direito a Ser nas Escolas”, pelo votos a favor do PSD, CDS, IL e do Chega, a um novo retrocesso naquele que tem sido o caminho dos direitos LGBTQIA+ em Portugal. A direita radical, reforçando a sua compreensão sobre o que devem ser os corpos, sexualidades e identidades, apela à remoção de “uma agenda ideológica sectária e um projecto político de facção” das escolas.

Citando Adrienne Rich e a “heterossexualidade compulsória”; Michel Foucault e o “dispositivo da sexualidade”; Hocquenghem; G.Rubin; Julia Kristeva e o conceito de “abjeção”; Butler e a “nova política de género”, Miskolci vai-nos introduzindo às origens teóricas e sociais da teoria queer e da produção de um conjunto de saberes que pensam a sexualidade e outras diferenças, como culturais e políticas, como parte da vida quotidiana, reforçando:

“o queer busca tornar visíveis as injustiças e violências implicadas na disseminação e na demanda do cumprimento das normas e das conversões culturais, violências e injustiças envolvidas tanto na criação dos “normais” quanto dos “anormais”.

ISBN:B074539P61 Editora: Autêntica Editora Páginas: 87