Katerina Silvánova, Elena Malíssova
O romance situa-se em 1986, nos últimos anos da União Soviética, num acampamento de pioneiros, onde o jovem Iurka (16 anos) conhece Volódia, monitor mais velho. Esse pano de fundo — da doutrinação dos jovens, do lenço vermelho, das ideologias de Estado — confere ao romance uma densidade política e simbólica que vai além do mero “romance adolescente”.
A ambientação permite explorar não só uma narrativa de amor entre dois rapazes, mas também o peso da opressão, da norma, da marginalização da sexualidade queer sob regimes autoritários. Por exemplo, o livro aborda explicitamente como a homossexualidade era vista como “abominação” ou “doença” naquele contexto.
A obra apresenta com sinceridade os medos, as dúvidas, os desejos de Iurka e Volódia, com uma escrita que evita idealizações açucaradas.
Essa autenticidade faz diferença: não é um romance “felizes para sempre e tudo está bem” — há dor, perda, desencontro e o peso dos contextos sociais. Isso torna o livro relevante para leitores que procuram mais do que uma história leve, mas uma história que dialogue com opressão, identidade e memória.
O livro tornou-se símbolo: foi banido na Rússia por se tratar de narrativa LGBTQ+ e por contrariar a norma ideológica vigente. Essa circunstância eleva o valor do livro como obra de resistência literária. A mera publicação e circulação da obra tornam-se acto político.
No balanço, considero o livro uma recomendação forte para quem quer algo que ultrapasse a mera “romance jovem adulto”; é literariamente significativo tanto como narrativa queer como como memória de um tempo e lugar específicos.
ISBN: 9789895838110 Editor: Secret Society Páginas: 608